Archive for the ‘Opinião!’ Category

Aos nossos filhos

07/05/2010

Aos Nossos Filhos

Elis Regina Composição: Ivan Lins/Vitor Martins

Perdoem a cara amarrada,

Perdoem a falta de abraço,

Perdoem a falta de espaço,

Os dias eram assim…

Perdoem por tantos perigos,

Perdoem a falta de abrigo,

Perdoem a falta de amigos,

Os dias eram assim…

Perdoem a falta de folhas,

Perdoem a falta de ar

Perdoem a falta de escolha,

Os dias eram assim…

E quando passarem a limpo,

E quando cortarem os laços,

 E quando soltarem os cintos,

Façam a festa por mim…

E quando lavarem a mágoa,

 E quando lavarem a alma

E quando lavarem a água,

Lavem os olhos por mim…

 Quando brotarem as flores,

Quando crescerem as matas,

Quando colherem os frutos,

Digam o gosto pra mim…

Digam o gosto pra mim…

http://www.youtube.com/watch?v=jWWOMrrtNfw&feature=player_embedded#!

 Eu estava ouvindo essa música do Ivan Lins e comecei a pensar…

Meus filhos estão crescendo.

Um com 11 anos e outro com 9.

Tudo aconteceu muito depressa. Já não sou mais o herói, me transformei num amigo. É dificil passar por essa transição, pois o herói reina sozinho, absoluto na admiração e respeito que lhe pertencem… O amigo é mais um de muitos. Agora tenho que conquistar meu espaço, disputar com os “outros” amigos o desejo dos meninos de ficarem comigo. Como é duro disputar essa concorrência!

Mas ao mesmo tempo, é bom ver os meninos crescendo em seus círculos que convivência que vão ficando cada vez maiores e complexos.

Daqui a pouco tempo eles serão adolescentes. Vão questionar tudo aquilo que eu lhes disser para fazer, vão tentar encontrar outros caminhos e fórmulas para conviver com as minhas regras. Vão tentar mudar até as regras! Não vai ser fácil. Nem prá mim e nem prá eles. Serei questionado, desafiado e até derrotado. Minha autoridade vai ser dissolvida aos poucos. Um pai tem que ser tolerante nessa hora. Tem que ter paciência pra suportar ser considerado obsoleto pelos filhos, pois só assim eles poderão se sentir fortes para aprender a viver por si mesmos.

Eu me lembro da minha adolescência. Fui um desses tipinhos questionadores e abusados que se alimentam com a ilusão de que podem redescobrir todos os segredos e mistérios da vida. Adorava colocar o dedo no nariz dos meus pais… Mas eles suportaram isso, pois sabiam que um homem estava se formando ali e que fazia parte do meu desenvolvimento adquirir um espírito inquieto e a vontade de superá-los.

Me lembro que os meus pais eram a imagem de tudo o que eu não queria ser. Eram antiquados, ultrapassados, obsoletos. Eu vivia falando: “mas a mãe dele deixa… o pai dele não se importa…” Nem pensava que isso podia doer nos ouvidos dos meus pais. Agora eu estou aqui, com medo de que meus filhos sejam como eu fui, com medo da dor que fatalmente eles me farão sentir.

 Sei que eles vão me questionar. Vão descobrir os meus furos. Vão apontar os meus erros. Vão me desafiar com o seu conhecimento. E isso vai ser dificil. Mas necessário e importante.

Depois virá a juventude e eles se transformarão nos reis do pedaço. A vida deles começando e eu parando para assistir, torcendo para que tudo dê certo. Ainda terei a oportunidade de dar alguns conselhos, espero que eles sejam aceitos.

Acho que tudo isso faz parte do crescimento. O ser humano recebe todo o cuidado dos pais e depois, prá viver a sua própria vida, precisa romper com essa proteção toda e assumir sua própria vida. Se não fizer isso, nunca será maduro, nunca vai se responsabilizar por nada. O filho precisa romper as amarras do porto seguro dos pais e enfrentar o oceano da vida. Tem sofrimento, tem desafio, tem derrota, tem dor… Mas tem conquista, tem recompensa, tem crescimento.

Me lembro do dia em que meu filho nasceu. Uma grande mudança dentro de mim. Comecei a pensar mais nos meus pais. Fui percebendo como é dificil assumir um posto de tamanha responsabilidade.

O tempo está passando, a vida vai se desenrolando e uma coisa interessante vai acontecendo. O adolescente que eu fui, vai se reconciliando com seus pais. Cada dia que passa, percebo que meus pais me deram tudo o que possuiam de melhor. Nunca fui privado de nada, pois me deram até a ultima gota do que podiam me dar. E não foi pouco nem insuficiente…

 Hoje vejo nos meus pais a alegria de poder contar com os filhos que eles formaram. Se deleitam com nossas conquistas e nos consolam em nossas derrotas, mas acreditam em nós.

Mas algo mudou. Eles não querem mais ser os donos da verdade, nem os mais fortes da familia. Eles querem ser amados como nos amaram e cuidados como nos cuidaram. O ciclo da vida se completa. O amor oferecido lá atras, agora precisa ser retribuido. Os papéis se invertem, mas a base de tudo permanece: o amor.

Fonte: Ênio Borba

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A justiça no tempo da cólera

05/04/2010

Fiz de propósito. Recusei-me terminantemente, como se isso fizesse diferença, a ler qualquer notícia sobre o julgamento do casal Nardoni. Mas foi impossível ficar imune a tamanho bombardeio midiático. Aliás, foi uma retomada da cobertura do caso. O clamor do povo encolerizado, os repórteres sentimentais, os teleapresentadores raivosos espumando indignação, as teleapresentadoras comportadas fazendo carinha de santa compadecida, tudo igual posto que só existe retweet de notícia velha debaixo do sol.

Mas não escapei ileso. Vi uma repórter referindo-se ao momento em que a mãe da menina Isabela, Ana Carolina Oliveira, falou ao júri mais ou menos assim: “Foi um depoimento emocionado, a mãe chorou várias vezes e até uma jurada derramou uma lágrima”. E ainda é preciso ter diploma de jornalista pra falar uma pieguice deslavada como essa!

Não questiono o teor emocional do caso. Afinal, trata-se de uma mãe chorando a perda de uma filha, talvez a maior dor que possa existir.

Mas o que faziam aqueles desocupados em frente ao tribunal? Que imbecilidade foi aquela de levar cartazes (só faltou um dizendo “Galvão, filma nóis”), que sandice era aquilo de tentar bater no advogado de defesa (quero ver quando precisarem de um que os defenda diante da sanha do Estado)?

E ainda: qual é o sentido de comemorar uma sentença de prisão como se fosse um gol de placa da justiça brasileira?

Com todo respeito à memória da menina Isabella, quantas outras crianças são brutalizadas, violentadas, assassinadas diariamente e não se ouve essa “voz rouca das ruas”?

Ninguém queria realmente justiça. Desejava-se vingança. Posamos de pátria de toga e martelo do mesmo jeito que viramos uma pátria de chuteiras na Copa do Mundo. Assim como muitos se descontrolam nos estádios e diante da TV pelo time de paixão, muitos torciam no julgamento como se fosse uma decisão de campeonato. Foi o Gre-Nal da justiça, foi o Fla-Flu da vingança.

Sites de notícia lhe convidam a rever fotos do processo, a TV reprisa a condenação como um recorde olímpico. Ao invés de silêncio e reflexão, o que houve foi muito barulho num julgamento tratado como a festa da menina morta.

Não estou pedindo revisão do processo. O que ainda me espanta é o interesse de uma mídia que faz de um julgamento um show.

Declarado culpado ao fim do julgamento, o casal Nardoni passou por um linchamento público durante todo o processo. Atenção à capa da Veja (ao lado) há dois anos, quando a revista promulgava um veredito por sua conta – apesar da certeza das conclusões, a foto do casal Nardoni foi escolhida e trabalhada para dar aos acusados um rosto “criminoso”. Sêneca (4 a.C.- 65 d.C.) estava certo quando dizia que “a razão quer decidir o que é justo; a cólera quer que se ache justo o que ela já decidiu”.

Fonte: Joêzer Mendonça

Nesse culto (não) se improvisa

01/04/2010

 – Um número?

– 12.

– 70.

– 230.

– 333.

– 425.

Não, não é um leilão para ver quem dá mais por um objeto valioso. É só um regente democrático que concede à congregação a decisão de escolher uma música do hinário para ser cantada.

Ele olha para trás como se olhasse para as coxias de um teatro por onde entrarão os membros da igreja acompanhando o pregador do culto. Alguém acena de lá e o regente entende que deve enrolar, digo, cantar mais uma música com a igreja enquanto seu pastor não vem. O regente aproveita para sem a menor cerimônia avisar que “enquanto a plataforma não entra, cantemos mais um hino em honra em louvor ao nosso Deus”. Isso é o que ele fala, mas o que a congregação entende é: “Estão nos enrolando com essa música tapa-buraco para atrasos eclesiásticos”. Subitamente, ele é avisado de que a “plataforma” vai entrar, ele corta o hino pela metade e já puxa o famoso intróito.

Que bonito, que beleza que é o senso de improviso do adorador brasileiro! Se a Reforma tivesse começado com esse tipo de improviso na liturgia, eu não daria quarenta dias para o povo voltar para a ordem da missa.

O improviso no culto já começa pela roupa dos músicos. Por que o instrumentista acha que é só o regente que tem que estar com o vestuário adequado? E não estou falando de terno e gravata. Os pianistas, talvez acostumados ao figurino formal dos concertos, dificilmente erram. Mas o guitarrista e, quando há um, o baterista acham o máximo seguir o manual Joselito de reverência que diz que, se há uma solenidade, vá com uma roupa que grite que você é jovem e não está nem aí para as formalidades.

Todos prontos, cada um no seu lugar, é hora de cantar e tocar. Há uma introdução instrumental e… o regente improvisa as falas, o pianista baixa a cabeça e faz o que bem entende com o andamento, o guitarrista toca acordes diferentes do pianista e o saxofonista faz improvisos durante as três estrofes.

Dificilmente há ensaio e costuma-se jogar a responsabilidade para o Espírito Santo, que além de Consolador terá que soprar a letra no ouvido dos cantores e lembrar as notas para os músicos.

Nem sempre se poderá ensaiar com todo mundo, mas um breve ensaio de acertos meia hora antes do culto já previne muitos problemas.

É isso que acontece nos momentos de louvor de sua igreja? Quer fazer diferente?

Escolha as músicas antecipadamente. Providencie uma ligação temática entre as músicas. Compartilhe sugestões com seus colegas músicos e cantores da igreja. Perceba o que é adequado cantar e falar para a sua igreja. E nunca desconsidere a comunhão e o preparo.

Fonte: Joêzer Mendonça

Saudades do tempo que não vivi

16/03/2010

Já ouvi muitas pessoas dizerem algo como: “Que saudades eu tenho de Jesus.” Isso embora nunca O tenham visto pessoalmente. Um dia desses, após o culto do pôr do sol de sexta-feira, coloquei um CD antigo dos Arautos do Rei e disse para minha esposa: “Interessante… de repente, senti saudades de um tempo que não vivi.”

Enquanto ouvia aquelas músicas tradicionais, comecei a pensar nas histórias de pioneirismo, fé e coragem que levantei para escrever o livro A Chegada do Adventismo ao Brasil (também disponível numa versão compacta aqui). Difíceis viagens missionárias, reuniões campais cujo centro era a pregação da Palavra de Deus, estudos bíblicos nos lares (alguns varando a noite), reverência e senso de urgência – tudo isso era coisa comum naqueles idos.

Não posso dizer que foi mero saudosismo (até porque não tenho idade suficiente para ter vivido naqueles tempos e fui batizado em 1991) e nem estou, com essas palavras, deixando de reconhecer o crescimento e os avanços pelos quais a Igreja Adventista do Sétimo Dia passou nas últimas décadas. Em muitos sentidos, o preconceito que havia contra os “sabatistas” diminuiu bastante, graças ao maior (e respeitoso) diálogo que a igreja vem promovendo com as demais denominações e à ênfase equilibrada no assunto justificação pela fé. No entanto, fazendo um paralelo entre a igreja atual e a de “ontem”, vejo que há aspectos dos quais talvez tenhamos nos esquecido ou relegado a segundo plano e que poderíamos resgatar.

Fonte: Michelson Borges

Meus heróis NÃO morreram de overdose

08/03/2010

Leio que Julie Andrews completou 74 anos em 01 de outubro. Dá pra acreditar? A Maria de A Noviça Rebelde tornou-se uma septuagenária. Podem chamar de sentimental e convencional, mas é difícil resistir à Julie Andrews surgindo numa colina verdejante e girando com os braços abertos e cantando a bela “The sound of music”. Tudo bem que depois tem aquelas sete notas musicais ou sete crianças, o que dá no mesmo. Mas logo aparece uma Julie enamorada cantando “Something” e o resto é Oscar, história e lágrimas.

O cantor Cazuza dizia numa música que seus heróis morreram de overdose. Ele próprio escolheu viver e morrer como seus heróis. As mídias fingem odiar esse tipo de herói, mas são elas que cobrem cada nova celebridade com sua cota televisiva de vaidade (quando tudo vai bem), falso moralismo (quando tudo vai mal) e confete post-mortem. Todo astro recém-falecido por overdose é coroado com um mito: o melhor é morrer jovem e famoso. Essa é a maior falácia da cultura pop, um engodo que tem levado muita gente a achar que aproveitar a vida é experimentar tudo, todos e todas ao som de muito rock’n’roll, yeah!

Como escreve Robert Pirsig, “a degeneração é prazerosa, mas não sustenta uma vida inteira”. Mas quem é que está se lixando pra expectativa de vida, quando dizem que não há nem céu nem inferno, nem Deus, nem deus, nem juízo. Lembra do trinômio revolucionário “liberdade, igualdade, fraternidade”? Pode parecer apocalíptico, mas alguém discorda de que esse ideal foi substituído pelo também trinômio “sexo, drogas e rock’n’roll”?

Antes que os filisteus virtuais ataquem este web-escriba, já adianto que o problema dessa geração pode até não ser a música (que espelha as vontades dessa geração). O problema é esse estilo de vida “morra jovem e drogado” sendo vendido como a quintessência do pensamento rebelde e antiautoritário, um modelo insuperável de ser artista e porta-voz da geração, quando no fundo é apenas suicídio juvenil glamourizado. Roqueiros e atores, principalmente, são elevados à categoria de ícones da juventude transviada que estabeleceu suas próprias regras de sucesso, vida e morte. Porém, se solos de guitarra não vão me conquistar, esse overdose way of life também não me convence.

Meus heróis não morreram de overdose: Dostoievski, Jane Austen, Guimarães Rosa, John Steinbeck, Tolstoi; Beethoven, Bach, Bernard Herrmann, Debussy, Stravinski, Duke Ellington; Kurosawa, Jean Renoir; Lincoln, Luther King. Eles representam um tipo de herói: aqueles que escaparam da mediocridade reinante na cultura e nas relações sociais. São heróis pela excelência artística e de pensamento.

Alguém dirá: e Lutero, Paulo, Isaías, Daniel, Pedro e João não seriam heróis maiores e melhores? Estes são um outro tipo de herói: gente que nos serve de inspiração para viver. Eles são muito mais que heróis das artes e do pensamento.

Meus heróis não morreram de overdose. Talvez nem sejam heróis apenas; uns preferem chamá-los de mártires. Eles morreram decapitados, queimados, crucificados e temo não estar à altura de mártires assim, que não morrem por uma ideologia, morrem pelo Amor que excede todo entendimento. Meus heróis não pegaram em armas e venceram exércitos. Eles viveram não por força nem por violência, mas pelo poder do Espírito. Meus heróis não foram seres perfeitos. Eles tiveram falhas e espinhos na carne, mas negaram-se a si mesmos e decidiram que, não eles, mas Cristo viveria neles.

Há heróis e super-heróis para todos os gostos. Contudo, se em vez de adotarmos heróis pelo nosso gosto pessoal nós levarmos nossa vida ao pé da cruz, sairemos dali com um novo sentido do que é de fato um herói. Eu preciso de heróis que vivem pelo que ainda não se vê, que vivem por uma esperança estranha para quem não acredita, mas tremendamente perfeita e elevada para quem aceita.

Fonte: Joêzer Mendonça

heschel.

24/02/2010

“existe algo “mágico” em torno de certos livros, certos parágrafos, certas frases… mas mesmo em bons livros, grandes livros, é raro já o primeiro parágrafo ter um poder magnético irresistível. entre os que mais me marcaram até hoje está o do heschel chamado “o schabat”. cito, na íntegra, os primeiros dois parágrafos (e com tanto respeito, que, pela primeira vez neste espaço, aparecem maiúsculos no início de cada frase).

A civilização técnica é a conquista do espaço pelo homem. É um triunfo freqüentemente alcançado pelo sacrifício de um ingrediente essencial da existência, isto é, o tempo. Na civilização técnica nós gastamos tempo para ganhar espaço. Intensificar nosso poder no mundo do espaço é o nosso maior objetivo. No entanto, ter mais não significa ser mais. O poder que alcançamos no mundo do espaço termina abruptamente na fronteira do tempo. Mas o tempo é o coração da existência.
Ganhar o controle no mundo do espaço é certamente uma de nossas tarefas. O perigo começa quando, para ganhar poder no reino do espaço, pagamos com a perda de todas as aspirações no reino do tempo. Há um reino no tempo em que a meta não é ter, mas ser; não possuir, mas dar; não controlar, mas partilhar; não submeter, mas estar de acordo. A vida vai mal quando o controle do espaço, a aquisição de coisas do espaço, torna-se nossa única preocupação.

daria pra passar o fds inteiro pensando nisso… e garanto que não seria um tempo perdido.”

Fonte: blog do Leonardo Gonçalves

Como viver a vida segundo a Rede Globo

18/02/2010

É fato: as novelas da Globo e seus programas de grande audiência continuam ditando normas, valores e costumes. Volta e meia ouvimos alguém soltar famosos bordões como “hare baba”, “tô certo ou tô errado?”, “né brinquedo não”, “ishalá”, e outros consagrados pelos folhetins globais. Antes que alguém levante a mão para perguntar, esse texto tem, sim, muito a ver com Administração. Qualquer evento que influencie, direta ou indiretamente, o nosso comportamento é extremamente importante para a forma como conduzimos os nossos negócios. Não é à toa que os grandes anunciantes disputam a peso de ouro o horário nobre da televisão brasileira – bem como os próprios atores. Da mesma forma, as grifes (re)direcionam suas coleções aos estilos exibidos pelas belas e influentes atrizes das novelas, mesmo que essas se passem em lugares exóticos como Índia e Marrocos, ou genuinamente brasileiros como Barretos, Rio e São Paulo.

Até pouco tempo atrás, muitas moças estavam usando parte do sutiã à mostra, para imitar o modelito de Norminha, a simpática e faceira personagem interpretada recentemente por Dira Paes. Novelas ditam modas e, como administradores, devemos estar atentos.

Espanta-me essa última, que traz o curioso título de Viver a Vida. Apesar de apresentar depoimentos emocionantes de pessoas reais que superaram grandes problemas no final dos episódios, Viver a Vida dá um show de deturpação de valores do começo ao fim de cada capítulo.

Normalmente, as obras de ficção dividem claramente as pessoas entre boas e más, o certo e o errado são evidentes, e nos colocamos a torcer pelo sucesso do protagonista e o castigo dos vilões… Na novela de Manoel Carlos, esse dualismo não existe. Com a desculpa de aproximar seus personagens da realidade, o autor lhes confere virtudes e defeitos.

Entretanto, paira um ar de normalidade sobre todas as safadezas cometidas pelos personagens, que eu chego a me perguntar o que ele quer dizer, realmente, com “viver a vida”.

Viver a Vida é uma novela onde praticamente todos os personagens enganam uns aos outros. O marido trai a esposa com a prima dela, a esposa trai o marido com o cara da academia, o outro troca a companheira de uma vida inteira por uma modelo 30 anos mais jovem , que agora já vive um affair com o sujeito que conheceu no meio do deserto (que corre o risco de ser filho de seu próprio marido), irmãos (gêmeos!) disputam a mesma garota… ufa! E tem muito mais, mas não quero tirar a paciência do leitor com essas picuinhas.

Onde mora o perigo?

Diversos estudos, em especial os conduzidos pelo Prof. Robert B. Cialdini, da Arizona State University, demonstram que temos uma grande tendência a fazer o que a maioria faz mesmo que seja um comportamento socialmente indesejável. Segundo Cialdini, somos naturalmente maria-vai-com-as-outras.

Manoel Carlos gasta o seu latim para provar que trair é algo normal, que todo mundo trai todo mundo e não há nada reprovável nisso. Pelo contrário: é até algo bonito, poético.

As puladas de cerca ocorrem sempre com o belíssimo pano de fundo da cidade maravilhosa ao entardecer, do alto de uma asa delta, ou nas areias paradisíacas de Búzios, ao som de uma belíssima trilha sonora. Sei lá, sei lá…

Há algum tempo, havia em minha cidade um jornalzinho que circulava entre os colégios, cuja maior atração eram os recadinhos que os alunos postavam uns para os outros.

Depois que Aline Moraes interpretou uma jovem lésbica em uma novela, houve uma explosão de recados (românticos) de garotas para garotas. Não estou fazendo juízo de valor no que diz respeito às escolhas sexuais de ninguém. Entretanto, desconfio que muitos desses recados não tinham nada a ver com a sexualidade dessas garotas.

Elas apenas queriam ser a Aline Moraes… Imagino que, se a personagem da bela atriz fosse interpretada por Regina Casé, o efeito no jornal teria sido nulo ou completamente inverso.

Mesmo sabendo que o comportamento é uma potente fonte de influência social, geralmente as pessoas que participam de estudos de psicologia social dizem com veemência que o comportamento alheio não influencia o seu próprio.

Você aí do outro lado também deve estar dizendo que isso é uma grande besteira, que você não é influenciado por novelas, nem por ninguém. Beleza. Mas, com certeza, você conhece um monte de gente que adora seguir a maioria.

O perigo está na mensagem, repetida diariamente à exaustão, justamente no horário em que a maioria dos televisores sintoniza a rede do plim-plim. Muita gente assimila o comportamento dos personagens como adequado, moderno e normal.

A novela de Manoel Carlos é a receita para o fracasso de uma sociedade que tem (ou já teve?) na família o seu mais firme alicerce. Viver a vida, de verdade, é muito mais do que isso. Tô certo ou tô errado?

(Leandro Vieira, mestre em Administração pela UFRGS e Certificado em Empreendedorismo pela Harvard Business School, tem MBA em Marketing, pelo Instituto Português de Administração e Marketing, administrador de empresas pela UFPB e bacharel em Direito pelo UNIPÊ; texto publicado no Paraná Online)

Nota: Esse texto de Leandro Vieira é irretocável e mostra que há mais pessoas, mesmo fora do âmbito religioso, preocupadas com a má influência das novelas sobre as massas de telespectadores alienados. Novelas ditam modas e comportamentos e, segundo Vieira, os administradores devem estar atentos a isso. Digo mais: se administradores devem estar atentos, o que dizer daqueles que se preocupam em desenvolver um estilo de vida que exalta a Cristo? Não deveriam estar ainda mais atentos a essas influências negativas, recusando-se a se submeter a elas? – Michelson Borges.

Fonte: Michelson Borges

 

Quando Todos ajudam

08/02/2010

“E disseram a Moisés: O povo traz muito mais do que é necessário para o serviço da obra que o Senhor ordenou que fizesse. Então Moisés deu uma ordem, e proclamou-se por todo o arraial: Nenhum homem, nem mulher, faça mais obra alguma para a oferta alçada do santuário. Assim o povo foi proibido de trazer mais” Êxodo 36: 5 e 6.

Depois dos israelitas terem saído do Egito, Deus se prontificou a estar no meio do povo, além da nuvem durante o dia e da coluna de fogo à noite, Deus queria ir mais além. Na verdade para salvar a humanidade Deus sempre foi mais além.

O Senhor fez um trato com Moisés, lá no alto do monte Sinai Deus mostrou para Moisés o “Santuário celestial” e disse para Moisés fazer exatamente como Ele havia lhe mostrado.

Ao voltar para o acampamento de Israel, Moisés, então, convocou todo o povo e transmitiu as ordens de Deus: o povo deveria trazer suas ofertas ao Senhor para que com essas ofertas fosse construído o “Santuário terrestre”. Em muitas igrejas há uma dificuldade tremenda quando seus líderes pedem ajuda ao povo e parece que ninguém se dispõe.

Mas com os Israelitas foi diferente, o povo começou a trazer as suas ofertas, ouro, prata, etc. Foram trazidas tantas coisas que chegou um dado momento em que Moisés pediu para pararem de trazer ofertas para construção do Santuário Terrestre. (Se estivesse no púlpito, nesse momento, pediria para igreja dar um amém bem forte).

Deus sempre traz á nós planos que estão ao nosso alcance, ele conhece muito bem nossas limitações e sabe a capacidade que temos para lograr em nossos feitos. Imagine você a situação desse povo, eles estavam no deserto marchando, eles tinham saído de um regime de escravidão, eu tenho plena certeza que aquele não era um povo rico. Ali naquela multidão não tinha ninguém bem de vida, com um salário exorbitante, nadando num rio de dinheiro. Era um povo humilde marchando no deserto em busca da terra prometida.

O que na verdade aconteceu na construção do templo foi uma união de poucas coisas, cada pessoa foi trazendo um pouquinho do que possuía alguma pequena relíquia, uma pequena oferta. Era pouco, mas o pouco somado com de varias pessoas se tornou muito.

A prosperidade vem da união, na escola quando a professora pede para alunos fazerem um trabalho escolar para ser feito em grupo, então um aluno faz todo trabalho e os outros “espertalhões” não fazem nada, fica um trabalho fraco e retrógado em conhecimento. Mas quando todo o grupo se envolve, divide o trabalho e então todos fazem um pouquinho e tudo fica melhor.

Na família quando só a mãe cuida dos filhos ela se torna cansada, estressada e abatida, porém quando o pai também se envolve no cuidado dos filhos o lar se torna mais feliz.

Na empresa quando cada funcionário se envolve no trabalho a empresa cresce e conquista um rendimento melhor.

Na igreja quando todos ajudam com suas ofertas,  fazem um pouquinho no trabalho missionário, cumprimentam as visitas, ajudam na reforma da igreja, ela se torna uma igreja mais fervorosa.
A prosperidade vem da união, a velha frase diz “a união faz a força”, se os Israelitas não se unissem jamais teriam construído o Santuário Terrestre, a união fez a diferença. A união pode fazer a diferença da sua escola, na sua casa, no seu trabalho e na sua igreja. Que Deus te abençoe.

Autor: Emerson Teixeira (texto com adaptações)

A vida que faz diferença

15/01/2010

Hospital Nossa Senhora do Pilar, Curitiba, 14:30. Eu, ao teclado, e o maestro Paulo Torres, spalla da Sinfônica do Paraná, começamos a tocar pelos quartos e corredores do hospital. Alguns, presos em leitos da UTI, talvez não escutem, enquanto outros reagem de uma forma que me impressiona.

Uma senhora, enquanto tocávamos o hino “Lindo País”, abre os braços e permanece assim durante toda a música. O que ela estaria pensando? Estaria reagindo apenas à sonoridade, ou aquela música lhe traz recordações e lhe dá esperança, talvez não de cura, mas de vida eterna?

Em outro andar, um jovem marido coloca um sofá à porta do quarto para que sua esposa se sente. Ambos ouvem nitidamente emocionados ao hino “Sou Feliz”. Alguns visitantes saem dos quartos para ouvir e agradecer. Tocamos ainda “Falar com Deus” e “Maior que Tudo”. Também tocamos “Traumerei”, de Schumann, e “Eu sei que vou te amar”, de Tom Jobim. No último andar, uma senhora coloca o celular bem perto do violino para que alguém ouça a música que tocamos. Funcionários passam apressados, ocupados; um outro pergunta se podemos tocar algo de Beethoven. Muitos agradecem.

Na semana em que a médica Zilda Arns morre na tragédia do Haiti, eu me pergunto sobre o que estou fazendo. E o que estou fazendo é tão infinitamente pequeno perto do que ela fez em vida!

Perguntas que insistimos em deixar pros outros, como Zilda Arns, responderem: Como meus vizinhos me veem? Como sou no trabalho: gentil e atencioso, ou sou apenas o tímido do trabalho que sai mais cedo na sexta-feira? Sou aquele que gasta os tubos para ficar na moda ou sou daqueles que doam tempo para quem tem necessidades básicas não atendidas?

 Não digo que devemos mudar nossas carreiras. Mas há tantos, principalmente aqueles que atuam em áreas da saúde, da educação e da assistência social (eu disse assistência e não assistencialismo), que podem ser a cabeça e não a cauda em suas atuações na sociedade.

Onde estão nossos Martin Luther Kings? Nossas Zilda Arns? Homenagens, discursos, artigos, muito se falará de Zilda Arns, alguém que dedicou a vida em favor da erradicação da pobreza, em favor da saúde da mulher, em prol de crianças sem amparo.

 Às vezes, penso que estamos tão ocupados na defesa doutrinária, o que é importante e necessário, que acabamos por desestimular involuntariamente os envolvidos em ações sociais e políticas que fazem diferença na vida de pessoas. O último discurso de Zilda Arns (leia aqui) conjuga o amor de Cristo e o amor ao próximo. Até quando seremos coadjuvantes, quando não, figurantes?

Não se deve renunciar à proclamação do evangelho eterno e da restauração das verdades bíblicas. Nem se pode deixar de reparar as brechas sociais e atar as fraturas da miséria. Cristo faz diferença na vida das pessoas. Zilda Arns fez diferença. E nós, que diferença fazemos na vida dos nossos semelhantes?

Fonte: Joêzer Mendonça

Daniel Salles: experiência de vida com Cristo

15/08/2009

DEUS também tem grande cuidado com a sua vida! Sente isso?