Em busca do essencial

Sábado, enquanto participava como palestrante no quarto dia do 15º Seminário de Administração, Contabilidade, Informática e Recursos Humanos da União Sul-Brasileira (USB) da Igreja Adventista do Sétimo Dia, fiquei maravilhado com o encadeamento não combinado dos temas de estudo, a começar pelo texto da Meditação Diária daquele dia. O pastor Rubem Scheffel escreveu (no ano passado) que “nos dias finais em que vivemos, chegamos a ficar surpresos quando nos deparamos com uma boa notícia nos jornais ou na televisão. Só se ouve falar de acidentes, homicídios, sequestros, atentados terroristas, enchentes, desabrigados e toda sorte de calamidades, tanto em nosso país como no estrangeiro”. Depois, como jornalista que é, avaliou: “Para a imprensa secular, a má notícia é que é a boa. É a que faz manchete e vende. O povo de Deus, porém, não precisa se abeberar dessas cisternas rotas. Não precisa e não deve ouvir programas de rádio ou televisão em que homicídios, assaltos e outras ocorrências violentas são dramatizadas com sensacionalismo e até com ironia, procurando tornar a tragédia ‘engraçada’. Não precisa e não deve ler jornais que destilam sangue e exploram o que há de pior na sociedade.”

E concluiu: “Há mais de cem anos, quando a situação do mundo era provavelmente cem vezes melhor do que a de hoje, Ellen White [aconselhou]: ‘Quando os jornais chegam em casa, quase desejo escondê-los, para que as coisas ridículas e sensacionais [sensasionalismo] não sejam vistas. […] Os que desejam ter a sabedoria que vem de Deus devem tornar-se néscios no pecaminoso conhecimento deste século, para serem sábios. Devem fechar os olhos, para não verem nem aprenderem o mal. Devem fechar os ouvidos, para que não ouçam o que é mau e não obtenham o conhecimento que lhes mancharia a pureza de pensamentos e de ação’ (O Lar Adventista, p. 404).”

Depois de meditar nesse texto, fui para o auditório me unir aos mais de 200 participantes do evento. Apresentei palestra sobre escolhas – escolher entre o essencial e o bom. Chamei atenção para o texto de Ellen White e testemunhei da experiência que vivo em meu lar. Desde que nossas filhas nasceram, minha esposa e eu decidimos não mais assistir a telejornais (praticamente os únicos programas de TV que ainda assistíamos). Nossas meninas terão bastante tempo para saber que este mundo não presta. Quando chego em casa, no fim da tarde, brincamos, lanchamos juntos, cada um toma seu banho e conversamos sobre o dia. A essas alturas, já passa das 20h e fazemos o culto familiar. As meninas gostam de cantar bastante. Depois oramos e lemos a Bíblia Ilustrada Para a Família (da CPB). Quando concluímos o culto, já é hora de dormir. Acredite-me: essa boa rotina faz toda a diferença na vida familiar. O dia termina em paz, sem o eco das notícias carregadas de sangue e violência que tiram a paz de qualquer um cuja mente ainda não esteja amortecida pela constante exposição a esse tipo de conteúdo. (Sinceramente, não consigo entender as pessoas que se deleitam em assistir programas que vivem de mostrar as mazelas, engarrafamentos das grandes cidades e crimes de toda espécie. O que elas ganham com isso? Que relevância têm essas informações, esse espetáculo macabro?)

Em minha palestra lá em Santa Catarina, procurei avançar um passo além. Imaginando que os líderes que me ouviam já tinham consciência de que não devemos ficar ciscando no lixo midiático, procurei deixar claro que, embora também existam coisas relevantes que são exibidas em alguns (poucos) programas de TV, elas não devem competir com o essencial. Mas o que é esse essencial? Já chego lá.

Depois da minha palestra, o presidente da USB, pastor Marlinton Lopes, e os presidentes das sedes administrativas da Região Sul nos ajudaram a recapitular a lição da Escola Sabatina. O tema: escolhas. Parecia tudo combinado mesmo (se a lição não fosse preparada anos antes de ser traduzida e publicada em cada país). Mas teve mais: o pastor Odaílson Fonseca, diretor da TV Novo Tempo, também falou sobre… escolhas.

À tarde, apresentei outra palestra sobre como devemos nos relacionar com os meios de comunicação, e levei os participantes a pensar na seguinte citação de Viktor Frankl, ex-professor de Neurologia e Psiquiatria da Universidade de Viena: “Vivemos numa sociedade de superabundância; essa superabundância não é somente de bens materiais, mas também de informações, uma explosão de informações. Cada vez mais livros e revistas se empilham sobre as nossas escrivaninhas. Vivemos numa enxurrada de estímulos sensoriais, não somente sexuais. Se o ser humano quiser subsistir ante essa enxurrada de estímulos trazida pelos meios de comunicação de massa, ele precisa saber o que é e o que não é importante, o que é e o que não é essencial, em uma palavra: o que tem sentido e o que não tem” (A Presença Ignorada de Deus, p. 70).

E o que é essencial, afinal? Paulo nos dá a dica: “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (Colossenses 3:2). As “coisas do alto” são o essencial e merecem o melhor de nosso tempo e dedicação. Deus, a família e os valores eternos – isso é o que realmente importa e estará conosco para sempre.

Fonte: Michelson Borges

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