Nesse culto (não) se improvisa

 – Um número?

– 12.

– 70.

– 230.

– 333.

– 425.

Não, não é um leilão para ver quem dá mais por um objeto valioso. É só um regente democrático que concede à congregação a decisão de escolher uma música do hinário para ser cantada.

Ele olha para trás como se olhasse para as coxias de um teatro por onde entrarão os membros da igreja acompanhando o pregador do culto. Alguém acena de lá e o regente entende que deve enrolar, digo, cantar mais uma música com a igreja enquanto seu pastor não vem. O regente aproveita para sem a menor cerimônia avisar que “enquanto a plataforma não entra, cantemos mais um hino em honra em louvor ao nosso Deus”. Isso é o que ele fala, mas o que a congregação entende é: “Estão nos enrolando com essa música tapa-buraco para atrasos eclesiásticos”. Subitamente, ele é avisado de que a “plataforma” vai entrar, ele corta o hino pela metade e já puxa o famoso intróito.

Que bonito, que beleza que é o senso de improviso do adorador brasileiro! Se a Reforma tivesse começado com esse tipo de improviso na liturgia, eu não daria quarenta dias para o povo voltar para a ordem da missa.

O improviso no culto já começa pela roupa dos músicos. Por que o instrumentista acha que é só o regente que tem que estar com o vestuário adequado? E não estou falando de terno e gravata. Os pianistas, talvez acostumados ao figurino formal dos concertos, dificilmente erram. Mas o guitarrista e, quando há um, o baterista acham o máximo seguir o manual Joselito de reverência que diz que, se há uma solenidade, vá com uma roupa que grite que você é jovem e não está nem aí para as formalidades.

Todos prontos, cada um no seu lugar, é hora de cantar e tocar. Há uma introdução instrumental e… o regente improvisa as falas, o pianista baixa a cabeça e faz o que bem entende com o andamento, o guitarrista toca acordes diferentes do pianista e o saxofonista faz improvisos durante as três estrofes.

Dificilmente há ensaio e costuma-se jogar a responsabilidade para o Espírito Santo, que além de Consolador terá que soprar a letra no ouvido dos cantores e lembrar as notas para os músicos.

Nem sempre se poderá ensaiar com todo mundo, mas um breve ensaio de acertos meia hora antes do culto já previne muitos problemas.

É isso que acontece nos momentos de louvor de sua igreja? Quer fazer diferente?

Escolha as músicas antecipadamente. Providencie uma ligação temática entre as músicas. Compartilhe sugestões com seus colegas músicos e cantores da igreja. Perceba o que é adequado cantar e falar para a sua igreja. E nunca desconsidere a comunhão e o preparo.

Fonte: Joêzer Mendonça
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Uma resposta to “Nesse culto (não) se improvisa”

  1. Ricardo Says:

    Sensacional!!!

    Concordo com tudo!

Comentários encerrados.


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