Considere o Deus inverossímil

Pode ser, por exemplo, que alguém não tenha tido um pai ou uma mãe que realmente se importasse e se interesasse com o que lhe acontecesse. Pode ser que alguém carregue nos ombros o peso de atos dos quais se envegonha tão profundamente que acabe se julgando indigno. Ou então alguém que esteja em uma situação de preponderância e que se perceba incapaz de sentir a mínima empatia por aqueles que estão abaixo de si. Apenas três hipóteses que explicariam a razão pelas quais muitas pessoas se sentem mais confortáveis com a ideia de um Deus irascível e distante, ou então um deus impessoal, mera energia mística que está em tudo e em todos.

Por mais que a tanta gente esta seja a noção que apresenta maior razoabilidade e que seja mais verossímil, ela dará tilt, entrará em curto circuito ao abrir a Bíblia. Porque a Bíblia não se limita a dizer que Deus existe, ela vai ao extremo de afirmar categoricamente que Ele tomou a nossa forma, baixou a guarda, tornou-se vulnerável, sujeito às mesmas dores e paixões que nós e, por fim, acabou morto.

Um Deus pessoal, debruçado sobre este mundo e sobre cada um de seus habitantes cheio de um genuíno interesse, capaz de sofrer quando sofrem e de se alegrar quando se alegram. Eis o quadro que a tantos causa desconforto, porque destoa do que lhes parece a ordem das coisas.

Pois bem, a noção que temos de Deus impacta diretamente no tipo de pessoa que somos e somente encarar esse Deus inverossímil – o Deus que ama, chora e sorri sem deixar de ser onipotente – pode fazer uma revolução a tal ponto radical que torna o crente capaz de superar aquelas situações que fazem com que a ideia de um deus impessoal seja mais palatável. Somente considerar a possibilidade Jesus Cristo pode fazer alguém superar, só por exemplificar, a ausência de pais amorosos, a culpa pelo passado ou sua própria insensibilidade ao sofrimento alheio.

Se há alguém me lendo que também sente o estômago revirar ao considerar seriamente o Deus que Jesus mostrou, gostaria de lhe dar hoje uma dose terapêutica dEle. Entre tantas opções, pincei esta: “E, chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos. E disse-lhes: tenho desejado ardentemente comer convosco esta páscoas, antes da minha paixão; pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus” (Lucas 22:14-16).

Considere o Deus que deseja ardentemente estar à mesa com seus amigos antes de se despedir. Considere o Deus que está agora ardentemente desejando ver a cena se repetir em Seu reino. Considere que Seu coração pulsa mais forte ao imaginar você, sim, você, naquela mesa.

 Marco Aurelio Brasil

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