Eu e meus sonhos bobos

Estes últimos anos comecei a escrever. Descobri que escrever me faz bem. Deus de alguma forma usa o que eu escrevo pra ajudar outras pessoas. Escrever me faz refletir, refletir me enfoca mais no que Deus quer de mim, e ai, sinto a certeza cada vez maior que estou aqui nessa terra pra fazer a diferença na vida de alguém. Sei que meus escritos não ajudam tantas pessoas como os do meu pai, mas vira e mexe eu recebo um email de alguém falando quão bom foi ter lido este ou aquele artigo e fico imensamente agradecido a Deus por ter me usado pra ajudar aquela pessoa em particular. Mais feliz ainda fico quando lembro que antes de postar um novo artigo, senti aquele medão quando pensei “será que ta bom? será que não to falando besteira? será que isso vai ajudar alguém?”. Nessas horas eu fecho os olhos, digo a Deus “usa isso ai pra tua glória, campeão” e aperto “enter” pra postar.
 
Descobri também que gosto muito de ler. A leitura faz brotar idéias na minha cabeça. Meu pai sempre dizia nos cultos lá em casa “hijos todos os padeiros son iguais, la leitura faz a diferença, todos los medicos son iguais, la leitura faz a diferença, todos los pastores son iguais, la leitura faz la diferença…”. Quando ele começava com esse sermãozinho, eu via nos rostos dos meus irmãos aquela cara de “la vem o velho com o mesmo sermão”. Infelizmente me demorou quase três décadas pra eu concordar com o bom velhinho. A leitura realmente faz a diferença.
 
Lendo livros de vários autores, descobri um gosto especial pelas obras de Max Lucado, Harold Kushner, e meu próprio pai (só fui ler um livro inteiro do meu pai depois dos 20 anos). Na maioria dos livros que leio, os autores sempre contam experiências ocorridas em aviões, “um dia quando viajava de São Paulo a Brasília”, “um dia num voo de New York a Pequim” , “um dia no aeroporto em Paris”. Sempre gostei dessas experiências, elas sempre trazem lições e testemunhos lindos, inesquecíveis. Geralmente esses autores são reconhecidos por alguém no avião ou aeroporto, conversam com a pessoa e depois de algum tempo recebem notícia da conversão daquela pessoa ou uma mudança drástica na vida da pessoa pra melhor. Confesso com toda humildade e até um pouco de vergonha que eu sonho com o dia em que , quem sabe, eu também escreva um livro e quem sabe nesse livro exista uma histórias dessas.
 
Então, aqui estou eu, voando a não sei quantos pés de altura, num voo de Charlotte a Miami, escrevendo que nem meus autores favoritos fazem. Estou me sentindo o próprio autor de best-seller, achando que um dia alguém vai chegar pra mim e falar “Sabe Sami aquela sua experiência do avião me marcou e ajudou muito, obrigado”.  Como quem não tem cão caça com gato, minha história de avião hoje vai através deste blog. Pode dar risada, eu não ligo, estou rindo também.
 
Não vou mentir, queria muito que isso tudo acontecesse um dia, Não pela fama, pelos elogios, e muito menos pra entreter as pessoas. Escrevo porque essa é uma das minhas terapias. Eu não tinha um tópico em mente quando abri meu laptop e comecei a digitar. Simplesmente lembrei de um sonho bobo que eu tenho de sentir um pouco o que os autores que eu tanto admiro sentem. Aquele feeling de ser um instrumento divino para alcançar alguém. Sonho que de alguma forma Deus me use da maneira que Ele achar melhor, seja escrevendo, seja sendo um amigo, seja sendo um bom professor ou um bom treinador.
 
Sonhar e o que faz da vida um desafio saudável. Eu tenho muitos outros sonhos bobos, alguns já realizei, outros não. Já vi um jogo da NBA sentado do lado da quadra, já fui matéria de jornal, você sabe, aquelas coisas de moleque.  Geralmente nossos sonhos são voltados ao EU. “Quero um carro novo, casa nova, ser mais alto, visitar a Grécia, etc…”. Escrever uma história num avião e dar uma de escritor famoso é um sonho que se está realizando. O detalhe é que ninguém me reconheceu, ninguém me pediu ajuda e ninguém me perguntou de Cristo neste voo. Mesmo assim, era meu sonho, então estou escrevendo. E você meu amigo. Quais são seus sonhos? Você também tem sonhos bobos como os meus? O que você sonha? Sonhos voltados ao EU ou sonhos voltados a Deus? Sonha em um dia poder cantar na sua igreja mas a vergonha e a falta de uma boa voz não te deixam? Pregar, mas chegar na frente da igreja e não sair uma palavra da sua boca? Poder dar estudos bíblicos mas não saber dá-los? Poder conseguir trazer mil almas pra Cristo mas olhar no espelho e ver que nunca trouxe uma sequer? Amigão, deixa eu te falar uma coisa. Sonhe! Sonhe! Sonhe! “Se alguma virtude há, se algum louvor existe seja isso que ocupe vosso pensamento (sonho)” (Filipenses 4:8). Não tenha vergonha de correr atrás! Ore, planeje, dedique seus sonhos a Deus e manda ver! Talvez você ache que teu sonho seja insignificante, mas uma ilustração de Max Lucado no seu livro “And the angels were silent” pode te ajudar.
 
Ele diz que uma das pessoas que ele mais gostaria de encontrar no céu é o dono do burrinho que Jesus montou em sua entrada triunfal em Jerusalém. Como que ele sabia que os discípulos iriam buscar o seu burrinho? Será que algum anjo o avisou na noite anterior? Ele teve uma visão? Será que ele sabia que o burrinho iria carregar o Filho de Deus? Pelo relato bíblico, os discípulos basicamente chegaram nele e disseram “passa o burro aí chefe” e com eles o burrico se foi. Ele não questionou, não cobrou, simplesmente cedeu o burrinho. Foi no burrinho de um desconhecido, um simples e pequeno burrinho que o Príncipe de Paz, o Filho de Deus que tira o pecado dos 6 bilhões de pessoas nesse mundo, incluindo você e eu, entrou triunfantemente em Jerusalém para vir “buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10). Então colega, você ainda ta achando que teus sonhos são bobos, pense outra vez, talvez seja o seu “burrinho” que esteja faltando para Cristo poder voltar triunfantemente pra nos buscar. Aquela parte da sua vida que você acha que não consegue, que é incapaz, é disso mesmo que Deus esta te pedindo pra completar a obra dele aqui nesta terra.
 
Por muito tempo eu tive vergonha de dizer o que penso e o que Deus fez e faz na minha vida. Escrevendo eu consigo expressar isso melhor do que falando. Não sou um autor de best-seller, não sou famoso, a aeromoça não me reconheceu, o piloto não disse que me admira, e a mulher ao meu lado não me perguntou de Cristo, ela dorme como uma criança (e só por que eu disse isso ela acordou pra beber a água dela) mas mesmo assim, ao finalizar esta mensagem, eu rogo a Deus que te de coragem pra acreditar que é você quem ele convida pra completar sua obra, é aquele talento escondido, quase perdido que ele quer apresentar ao mundo pra sua honra e gloria. É aquele talento que você nem sabe que tem, que ele deseja usar pra alcançar a mulher ao seu lado, o piloto, a aeromoça, o seu vizinho, seu chefe, seu professor ou seu colega de classe. Talvez seu burrinho não seja o que carregue nosso Cristo no seu glorioso retorno a esta terra mas pode muito bem ser o que carregue alguém para o glorioso encontro com Cristo. Vai nessa colega, e que Deus te abençõe, pois com Ele, a gente nunca vai dar com os burros n’água!
 
PS: A mulher ao meu lado acabou acordando de vez olhou para mim e perguntou se eu era escritor. (risos). Perguntou também sobre que eu escrevia. Foi minha brecha pra falar de Deus a ela. Ela era peruana também! Dei a ela o website do Ministério Bullón e disse que o cara principal do website é peruano também. Ela ficou muito feliz e interessada e disse que com certeza vai dar uma checada. Já imaginou? Talvez minha história de avião esteja só começando.

Autor:  Sami Bullón, Ministério Bullón

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