Ensine sua criança a desenvolver o respeito próprio!

Respeito-próprio é o fato de você saber que é alguém de valor e merece ser tratado com dignidade e respeito. O respeito-próprio conduz à auto-estima positiva que vai influenciar em muitas coisas na sua vida, especialmente em sua vida emocional.

A maneira de ensinarmos uma criança a ter respeito-próprio depende da maneira como a tratamos desde que ela é um bebê. A escritora educadora Ellen G. White comenta: “Mães [e pais], estai certas de que disciplinais devidamente vossos filhos durante os seus três primeiros anos de vida. Não lhes permitais formar suas vontades e desejos. A mãe deve ser mente para os filhos. Os três primeiros anos são o tempo para vergar o pequenino rebento. As mães devem compreender a importância desse período. É aí que é posto o fundamento.” Orientação da Criança, Casa Publicadora Brasileira, 194.

Apesar do fato da genética ter um papel forte na maneira como uma criança se desenvolve, o ambiente no qual ela vive, o tipo de atenção que recebe e a maneira como os pais interagem com ela exercem um papel maior sobre a personalidade e qualidades pessoais que ela incorpora à medida que cresce.

Muitos lutam em seu interior com uma sensação de desvalor. Porém, qualquer pessoa humana tem valor, muito valor, pois ela é única, mesmo sendo gêmeo (univitelino) idêntico e mesmo havendo cerca de 6 bilhões, 778 milhões, 900 mil indivíduos no planeta, não há nenhuma pessoa igual à outra.

A possível causa da luta com questões de auto-estima pode estar ligada ao fato de crianças, ao longo dos anos infantis, terem sido afetadas com bombardeios de críticas e depreciações por parte do pai e/ou mãe. Ou, se não houve isto, pode também não ter havido elogios, valorização, apreciação.

A educadora citada escreveu: “Uma criança freqüentemente censurada por alguma falta especial vem a considerar aquela falta como uma peculiaridade sua, ou alguma coisa contra que seria vão esforçar-se. Assim se cria o desânimo e a falta de esperança, muitas vezes ocultos sob a aparência de indiferença ou bravata.” Ellen G. White, “Mente, Caráter e Personalidade, vol.2, 488. A criança criticada freqüentemente passa a crer que ela é assim. E cresce crendo que é um problema. Perde a esperança. Desenvolve desrespeito por si própria. E na vida adulta vai tender a viver relacionamentos nos quais permitirá que a desrespeitem.

Aceitar que temos problemas de caráter não é o mesmo que desvalorizar-nos como pessoa. Podemos e devemos reconhecer nossos defeitos para podermos lutar para mudar e ao mesmo tempo não nos depreciar.

Precisamos evitar dois extremos quanto à auto-estima: um é crer que somos os melhores, o que pode levar à arrogância, orgulho, prepotência, presunção, pedantismo, e uma pessoa assim é muito chata e incomoda. Outro extremo é acharmos que não valemos nada, que somos inferiores, o que conduz à dependência errada, isolamento, depressão e egoísmo também.

Então, é importante evitar ambos extremos. Você pode ter dignidade como pessoa sem cair numa vã e orgulhosa autoconfiança. Pode abrir mão da sua opinião sem sacrificar o respeito pessoal e sem ter que abandonar a independência pessoal saudável e a certeza do seu ponto de vista. A vida de uma pessoa pode ser de grande e positiva influência diante dos outros desde que se evite estes dois extremos.

O que pode ajudar a construir respeito-próprio que leva à positiva e equilibrada auto-estima ao lidar com uma criança pode ser:

1) Compartilhe seu amor incondicional por ela – se ela fez algo errado e você vai disciplinar, deixe claro que o problema não é ela, mas o que ela fez e afirme que você a continua amando. Ao invés de dizer: “Você é mau porque fez isto.”, diga: “Isto que você fez é mau.”, explicando que um comportamento errado dela não faz com que ela seja uma pessoa má. E ela precisa parar de repetir o mesmo comportamento ruim.

2) Dê liberdade à criança de fazer algumas coisas do jeito dela. Não tem que ser só do seu jeito. E nem você tem que logo pegar e fazer por ela, pois a mensagem que ela gravará é que ela não é capaz.

3) Valorize os pensamentos, sentimentos e opiniões da criança. Escute o que ela tem para dizer. Se ela estiver falando de algo que a deixou com medo, não diga “Que bobagem!” e mude de assunto. Pare, escute e empatize com ela, ou seja, diga, olho no olho: “Puxa! Que ruim você sentir isto querido(a)! Quando eu era pequeno(a) senti assim também um dia quando…” Esta atitude mostra a ela que o sentimento dela tem valor, você o respeita e entende porque passou por algo parecido que pode compartilhar com ela. Não diga isto fazendo algum tarefa, ou com um olho no jornal ou TV e outro na criança, pois assim ela sentirá que o que ela diz não tem valor e assim ela não tem valor como pessoa. E lembre-se de que crianças também têm angústia e tristeza.

4) Respeite a privacidade e os pertences dela. A menos que ela possa estar fazendo algo que seja lesivo para ela ou para outras crianças. Algumas crianças, por exemplo, são mais sensíveis ao pudor e não querem que alguns parentes a vejam sem roupa. Respeite isto, ao invés de dizer: “Ah! Que bobagem, é a vovó (ou vovô, titio ou titia, etc.) quem está aqui!”. Não dê ou empreste pertences da criança para outra pessoa sem conversar com ela. O que é dela não é de todo mundo! É dela.

5) Encontre e elogie, em particular e em público, algo positivo da criança, tanto algo que ela tenha feito como algo que ela é. Fale com entusiasmo tipo: “Estou super, super contente porque você fez isto…!!!”, ou “Estou muito feliz porque eu sei que você é uma criança muito legal!!! (e cite a característica positiva dela).

Fonte:  Ministério Bullón
Autor:  Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

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