O dia em que o ego foi inventado (e o dia em que ele pode ser esquecido)

A Bíblia diz que somos criados à imagem e semelhança de Deus. O que isso significa de fato tem sido objeto de muita especulação ao longo dos séculos. Sei que o relato dá conta de que as coisas que nossos primeiros pais fizeram logo após a criação foram cuidar da natureza (Gênesis 1:28) e um do outro (cap. 2:20 e 22). Talvez esse seja um indicativo do que significa ter sido criado à imagem e semelhança de Deus: o homem vivia para servir, prestar atenção, proteger e se relacionar com os outros, com seres e objetos alheios a si próprio.

O dia em que o ego foi inventado foi exatamente o dia em que Adão e Eva ponderaram a possibilidade de fazer alguma coisa qualquer que não aquilo que Deus havia orientado a fazer. No dia em que pecaram, “foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” (cap. 3:7). A palavra “si” apareceu aí. Viu-se a cena té então inédita de Adão de um lado fazendo algo para si próprio e Eva de outro, costurando suas folhinhas também.

A maldição do pecado é tomarmos conta de nós mesmos. Antes, tínhamos um Criador cheio de amor e Todo Poderoso a quem terceirizávamos essa tarefa, mas agora assumimos o fardo e não costumamos largá-lo por nada neste mundo, ou pior: por nada do outro mundo. Do fato de estarmos ensimesmados, retorcidos sobre nossos próprios umbigos, escravizados pelos nossos próprios assuntos, monomaníacos pelas nossas próprias vestes de folhas de figueira advém a dor e a angústia, porque, afinal, fomos criados à imagem e semelhança de um Deus que vive pelos outros.

E penso nisso tudo ao cabo de uma semana especialmente cheia de compromissos e atividades, quando meu amo, o egoísmo, teve ocasião de sobra para estalar seu chicote, quando eu aparentemente não tive uma mínima nesga de tempo para parar e refletir um pouco no que realmente interessa. Aí eu olho para o relógio e sou lembrado do fato venturoso de que daqui a pouco será sábado.

O sábado é o momento em que posso esquecer do meu ego. Deus erigiu essa catedral no tempo para que eu entre nela e deixe do lado de fora tudo o que diz respeito a mim mesmo. Nela, eu só preciso me concentrar no Deus que me criou a Sua imagem e semelhança e nas pessoas que me rodeiam, onde também posso ver os vestígios dessa semelhança.

Jesus disse que o sábado foi criado para o homem. É que o homem precisa do sábado. Deus o criou pensando no homem, pensando em suprir suas necessidades mais profundas. Louvado seja!

Marco Aurélio Brasil

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Uma resposta to “O dia em que o ego foi inventado (e o dia em que ele pode ser esquecido)”

  1. Ada Says:

    Louvando seja Deus… que possamos refletir sobre o tamanho do nosso ego e nos deixemos invadir pelo amor de Deus para que saibamos a real medida da nossa missão nessa terra… Feliz Sábado irmãos queridos!!!

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