Há escapatória? 2/5

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É possível escapar dessa armadilha? A resposta está na vida de nosso Senhor. Nessa última noite, com tantos trabalhos úteis sem fazer e problemas humanos não solucionados, o Senhor sentia a paz que resultava de saber que havia terminado a obra de Deus.

Os evangelhos mostram que Jesus trabalhou intensamente. Depois de descrever um dia cheio de atividades, Marcos escreve: À tarde, ao cair do sol, trouxeram a Jesus todos os enfermos e endemoniados. Toda a cidade estava reunida à porta. E Ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem Ele era” (Marcos 1:32-34).

Em outra ocasião, as necessidades dos enfermos e aleijados fizeram que deixasse de ceiar, e que trabalhasse até tão tarde que os discípulos creram que estava fora de Si (Marcos 3:21). Um dia, depois de uma árdua sessão de ensino, Jesus e Seus discípulos saíram em uma barca. Ele dormiu e nem sequer a tormenta o despertou (Mateus 4:37). Que quadro de cansaço extremo!

Porém, Sua vida nunca foi febril. Tinha tempo para dedicar-se às pessoas. Podia passar horas conversando com uma só pessoa, como a mulher no poço de Samaria. Sua vida demonstrou um equilíbrio maravilhoso, um sentido preciso de oportunidade. Quando Seus irmãos quiseram que fosse à Judéia, lhes disse: “Meu tempo ainda não chegou” (João 7:6). Jesus nunca arruinou Sua obra por causa da pressa.

Imediatamente depois do relato desse dia tão ocupado de Jesus, lemos que: “Tendo-Se levantado de madrugada, saiu, foi para um lugar deserto, e ali orava”. Ali está o segredo da vida e obra feita por Jesus. Esperava, em oração, as instruções do Pai e força para cumpri-las. Não tinha um manual detalhado que seguir, senão a vontade do Pai, dia após dia, em uma vida de oração. Assim pôde evitar o urgente para fazer o importante!

A morte de Lázaro o ilustra. Podia haver algo mais importante que a  mensagem urgente de Maria e Marta? “Senhor, está enfermo aquele a quem amas” (João 11:3)? João deixou documentada a resposta do Senhor nas paradoxais palavras: “Ora, ama Jesus a Marta, e a sua irmã e a Lázaro. Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava” (João 11:5-6). Qual era a necessidade urgente? Evidentemente, a de impedir a morte deste irmão amado. Porém, o importante desde o ponto de vista de Deus era levantar a Lázaro dentre os mortos. Isto Jesus fez como sinal de Sua afirmação maravilhosa: “Eu Sou a ressurreição e a vida. O que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11:25).

Podemos perguntar-nos por que o ministério do Senhor foi tão breve, por que não pôde durar mais cinco anos, ou dez, por que deixou a tantos seres sofredores em sua miséria. As Sagradas Escrituras não nos dão uma resposta, e as perguntas, devemos deixá-las nos mistérios dos propósitos de Deus. Porém, sabemos isto: que a espera de Jesus em oração até receber as instruções de Deus o livrou da tirania do urgente. Deu-Lhe um sentido de orientação, e permitiu-lhe efetuar todas as tarefas que Deus lhe designou. E em Sua última noite pôde dizer: “Consumei a obra que Me confiaste”.

Charles Hummel

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