A tirania do urgente! 1/5

tirania do urgente

Vivemos momentos de inusitada pressa. As mudanças em diversos aspectos da ocupação humana se sucedem vertiginosamente e, nesse ambiente, se nos torna cada vez mais difícil discernir claramente o que é prioritário. O presente ensaio trata de dar luz a respeito, de uma maneira simples e contundente. O trabalho se  desenvolve em torno de dois aspectos essenciais: o IMPORTANTE e o URGENTE.

Os três anos de ministério terreno de Cristo parecem demasiado breves. Uma meretriz encontrou o perdão durante o banquete na casa de Simão, mas quantas não continuaram em seu vil ofício? Para cada dez músculos que Ele devolveu flexibilidade e saúde, cem ficaram imóveis. Jesus curou a centenas, porém milhares continuaram enfermos. Como então pôde dizer ao final de Sua breve vida: “Eu te glorifiquei na terra consumando a obra que me confiaste” (João 17:4).

Necessitamos desesperadamente saber a resposta. Nossas próprias vidas deixam grandes pegadas de trabalhos inconclusos. Cartas sem responder, amigos sem visitar, artigos sem escrever e livros que não lemos nos  perseguem como fantasmas em nossos momentos de recolhimento quando procuramos fazer um balancete de nossas vidas. Hoje nem é possível que o homem se “encastele” em seu lar, já que o rádio, a televisão e o telefone transpuseram essas muralhas com suas distrações sem fim.

Escaparemos disto dentro de cinco anos? Não, porque chegarão os filhos, que ocuparão nosso tempo. Uma maior experiência em nosso trabalho e nossa igreja nos desafiará com exigências maiores. E nos encontraremos trabalhando ainda mais e desfrutando menos.

Mas não é o trabalho o que nos faz mal. Todos sabemos o que é trabalhar a todo vapor durante longas horas, completamente concentrados em uma tarefa importante. A fadiga resultante é compensada com uma sensação de triunfo e alegria. Não é o trabalho, mas a dúvida e a indecisão o que produz a ansiedade, quando passamos em revista um mês e nos sentimos  oprimidos pelo acúmulo de tarefas não concluídas. Pouco a pouco damos conta que talvez tenhamos deixado de fazer o importante. Os ventos das exigências dos demais nos têm levado aos recifes da frustração.

Há alguns anos um experimentado homem de negócios me disse: “Seu maior perigo está em deixar que as coisas urgentes não lhe permitam fazer as importantes”. O problema está em que as coisas importantes raras vezes têm que ser feitas hoje mesmo ou nesta semana. Essas horas extras de oração e estudo bíblico, esses amigos que tenho de visitar, esse livro que requer um cuidadoso estudo: são assuntos que não é necessário fazê-los hoje. As tarefas urgentes são as que exigem uma ação imediata. Parecem ser importantes e irresistíveis, e assim ocupam nossas energias. Porém, vistas à luz do tempo, sua importância desaparece e vemos as coisas verdadeiramente importantes que deixamos de fazer. Temos sido escravos da tirania do urgente.

Charles Hummel

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